AI QUE SAUDAE QUE DÁ
Às vezes, me bate uma tristeza muito grande ao lembrar-me que já se foram 50 anos de vida. Quem faz essa idade percebe em alguns momentos, que daqui prá frente em se tratando da perspectiva de vida do brasileiro, já se está caminhando pro fim.
Muito tempo já se passou, muitas coisas aconteceram; coisas boas, mas também coisas ruins. Quantas e quantas pessoas passaram pela minha vida, pessoas das quais nem me lembro mais, mas também existem pessoas as quais me lembro muito bem; existem pessoas que marcam a nossa vida, e não tem como esquecê-las.
Dá uma vontade imensa de ser criança de novo, e assim poder fazer tudo diferente, brincar muito, mas muito mesmo. Brincar de tudo sem se importar de às vezes até “pagar mico”. Mas também não perder tempo nos estudos, estudar muito, mas muito mesmo. Estudar sem perda de tempo “tem tempo prá tudo... tempo de brincar... tempo de estudar...”.
Quem chega nessa idade, não pode ficar pensando muito no que passou, é melhor começar a pensar no que fazer daqui prá frente, não existe muito tempo a perder. Provavelmente, já se perdeu muito tempo com “ética” imposta quem sabe pelos mais velhos, ou mesmo pelos mais experientes, ou superiores. Talvez pela religiosidade ou pelos costumes da família.
Aqueles que se encontram nesta idade, fazem parte de um universo de pessoas que tinham um enorme sentimento de obediência “aos mais velhos”, levava-se muito em consideração o que estes falavam, e conseqüentemente por conta dessa obediência e consideração exacerbada, abriram mão de muita coisa na vida.
Conheço muitos, homens e mulheres, que deixaram de viver momentos especiais em suas vidas, por dar ouvidos aos outros, e não optarem por ouvir a voz de suas consciências e os desejos sinceros de seus corações.
Mas por outro lado, quem se encontra nesta idade tem o privilégio de ter vivido e passado por pelo menos duas gerações diferenciadas, com suas peculiaridades e que marcaram o seu tempo; positivamente e também negativamente.
Vivemos momentos marcantes nos anos 60 e principalmente nos anos 70 quando os jovens não aceitavam e nem engoliam qualquer coisa, vindo de quem quer que seja. Foram tempos vistos por todos os arrumadinhos e certinhos, como tempo de rebeldia, mas na verdade o que acontecia e que acontece até hoje, é que sempre que aparece alguém que busca uma resposta mais convincente, confronta e afronta este não será bem vindo, e com toda certeza será rotulado e execrado. Isto em toda e qualquer esfera da sociedade.
Muitos jovens desta época foram mandados prá fora de seu próprio país, por ser considerado “persona não grata”, por ter idéias diferentes á respeito da política e da religião, seguimentos que sempre foram e serão predominantes. Jovens que mesmo assim não se calaram e não se acomodaram, e podemos ouvir seus clamores e gritos surtindo efeito até hoje, muitos anos depois.
Quem se encontra com esta idade, tem o privilégio de estar vivenciando e até curtindo muito com a geração de hoje. É tudo muito diferente. Não existe a preocupação com o senso de ridículo. As músicas e danças, quanto mais “escandalosas” melhor e mais sucesso fará. A literatura é livre prá se dizer o que quiser; tudo é permitido pela liberdade literária. Nestes dias, não existe a preocupação com o futuro; o que importa é viver bem o presente.
É bom, mas ao mesmo tempo é muito preocupante.
Tenho muitas outras coisas prá dizer a respeito, mas as direi em outra oportunidade.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
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